Cultura: Livro Geografia Semiótica da Alma exige o ‘regresso’ das línguas bantus A União dos Escritores Angolanos (UEA)

Manuel Sabrita O também linguística pede, ‘’aonde estão as nossas línguas nacionais, as dos nossos ancestrais. Onde estão hibernados os nossos nomes próprios e de lugares sugeridos pela essência das línguas africanas bantu ou até mesmo khoisan, enfim, a filosofia da antroponímia e da toponímia que hoje os ventres de camalhões são seus habitacos não tarda dessa metamorfose, coloca-los aos ventres de gazelas, assustadas por leões. Significa dizer a passividade que se assiste tarde ou cedo irá mudar. É uma questão de tempo. Geografia Semiótica da Alma, incorpora esta temática como colmo de urgência’’, alerta.Concordando com as ideias do autor, o apresentador Cristóvão Neto, reconhece, ‘’nas poesias de Akiz Neto há palavras fragmentadas. Há combinações, aparentemente incompatíveis. Há neologismos. Ele usa e abusa disso. Há jogos gráficos, que é uma mania da nova poesia. Há referências científicas. Há fórmulas químicas muito interessante e o jogo de palavras que faz se cruzam’’, defende. Refere ‘’há também números que parecem estar a deriva a determinado momento. Penso que ele estava a tentar uma fórmula cabalística de modo a nos meter a xinguilar, sem percebermos bem aonde vamos chegar. A intenção do poeta é sempre nos baralhar a cabeça, ou seja, ir para além das fronteiras do sentido’’, disse. Nova poesiaConsidera que o livro não tem coordenadas geográficas ‘’pertence a um universo maior. O título nos coloca diante dum aparente paradoxo, como pode a alma ter uma geografia? É precisamente nisso que nasce o livro. Nos remete para o espaço, território, percurso e localização. A palavra semiótica nos remete para os signos, através dos quais nasce, o sentido. A palavra alma desloca todo isso para o mecanismo da interioridade. Assim, antes mesmo, de irmos para os poemas, o título parece propor uma tarefa árdua, ler a alma como território, interpretar os seus sinais como quem descobre o mapa’’. Assegura que o poeta ‘’não nos entrega simplesmente um território. Constrói através da linguagem um território interior, e convida-nos a percorre-lo. A leitura deste livro não se deve limitar-se a pergunta. Convém não perguntar, o que é que o poeta está a dizer. Os poetas têm a mania de construírem mundo, universo, portanto, que sinais o poeta quer deixar espalhado para nós conseguimos detectar a beleza dispersa no seu texto’’. <br>Resistência culturalAdilson Salvador, director da editora Muenho, considera, ‘’ao esfolhamos as páginas do livro Geografia Semiótica da Alma, somos impelidos a percorrermos caminhos que fundem a essência da nossa terra com uma perspectiva universal sobre a condição humana’’, disse, tendo acrescentado, ‘’o livro se afirma como elegância e coragem no panorama literário de Angola’’. ‘’A publicação de um livro é sempre um acto de resistência cultural e de generosidade. Exigem do autor a coragem de desmudar a sua alma e da editora o compromisso de erguer a ponte entre essa visão e o leitor. Em Akiz Neto encontramos a sensibilidade apurada de quem observa as nuances do nosso cotidiano. A riqueza da nossa tradição e os dilemas da contemporaneidade, convertendo-os em narrativas que nos movem, questionam e inspiram’’. Afirma, ‘’este livro não é apenas mais uma obra nas prateiras, é um testemunho da vivacidade, da nossa produção intelectual e um contributo valioso para o património artístico cultural angolano’’, enfatiza. <br>Orgulho Por sua vez, em representação do Secretário-geral da UEA, o escritor Kudijimbe fez um enquadramento histórico da fundação da primeira associação cultural após a independência nacional, ‘’fundada em 10 de Dezembro de 1975 por Agostinho Neto e seus correligionários que agrega os que fazem das palavras a sua missão acompanha com satisfação cada passo que um escritor dá. Hoje ao vermos nascer o livro do confrade Akiz Neto, sentimos e crescemos por cada um que se levanta para escrever é uma vitória, quando acreditamos no poder da transformação da palavra’’. Refere, ‘’o nosso confrade traz-nos com essa obra intitulada Geografia Semiótica da Alma, um olhar, uma reflexão, uma narrativa, que se soma ao património literário angolano. Não é apenas um livro que hoje lançamos, é mais uma pedra edificada no templo da nossa cultura. Mas uma testemunha do nosso tempo, mas uma voz que se junta ao coro dos que escrevem a história do nosso povo e da nossa cultura’’. ‘’A literatura angolana vive, respira e cresce, porque há homens e mulheres como o nosso confrade Akiz Neto, insiste em escrever, em resistir em dar forma aos nossos sonhos e as nossas verdades. A UEA sente-se orgulhosa de ser parte deste caminho de ser a casa que acolhe estas vozes e as que projecta para o futuro’’. Publicou obras em poesia, ‘No crivo do meu Sonho’, em 1989, ‘Na trajectória da Serpente’, em 1995, ‘Cócegas e Despertar’ em 1996, ‘Horoscópio da Fragmentação’, em 1997, ‘Borboletas da Paz- antropologia de poesia infantil’, em 1999, ‘No umbigo da Palavra’, em 2003, ‘A construção figurativa do Gesto’, em 2007, ‘Poesia Comportamental’ em 2010. Tem publicados alguns ensaios como ‘Poeticidade no discurso prosaico de Wuanhenga Xitu’, 2008, ‘Utopia pensamento político e outros afectos em Amanhecer’ – poesia de Agostinho Neto, ‘Contingências -afectos, revoltas e Ternura’ – antologia da poesia de Jofre Rocha, ‘Influência do neorrealismo e da negritude na poesia de Agostinho Neto’. Consta em antologias poéticas prosaica, ‘Raízes do Crivo’, 1988, ‘Tanga de Pelos’, 1995, ‘Cânticos Isolados’, 1997, ‘Na condição wiqui’ – Brigada Jovem de literatura de Angola – Lubango, e o ‘Amor é sempre Agora’ – poesia do édeno angolano pela UEA.
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